Das terras raras à indústria de ponta
Transformar o Brasil de exportador de minério bruto em fabricante de ímãs permanentes, semicondutores e baterias, aproveitando a segunda maior reserva mundial de terras raras.
Leitura: 3 min
O problema
O Brasil possui a segunda maior reserva mundial de terras raras — cerca de 23% do total global, segundo o USGS (2026), atrás apenas da China —, mas exporta o minério bruto sem qualquer processamento, transferindo todo o valor agregado ao exterior. O refino e a produção de ímãs permanentes são quase inteiramente monopolizados pela China (cerca de 90% de cada), tornando potências ocidentais — inclusive os Estados Unidos — criticamente dependentes desses minerais para sua indústria de defesa e tecnologia.
A proposta
A proposta consiste na verticalização da cadeia produtiva de terras raras, superando o modelo de mera extração: da mineração à separação química, refino, ligas, ímãs permanentes, motores e componentes para baterias e semicondutores. O plano prevê um marco regulatório que condicione a exploração mineral à transferência de tecnologia e ao processamento local, além de uma PEC que declare as terras raras questão de segurança nacional, blindando a política do setor contra ciclos eleitorais. O investimento estimado é de R$ 20 bilhões em uma década — BNDES (50%), agências dos EUA (35%), fundos verdes (10%) e capital privado —, com cronograma faseado: marcos legais e mineração a partir de 2027, planta-piloto de separação e refino em 2029–2030, e expansão para ímãs e semicondutores até 2036. O governo atuaria como indutor, em parceria com o setor privado e universidades, citando o projeto MagBras ("Da Mina ao Ímã", do Programa Mover) como referência nacional.
O Brasil tem 20% das reservas mundiais de terras raras. A nova economia desse século vai depender disso.
O negócio das terras raras é um bilhete: pode ser ou um bilhete premiado ou mais um pau-brasil. A gente tem que escolher.
eu posso me associar à China apenas num caso em que eu garanta a minha própria soberania e que eu não apenas faça a extração, mas o processamento e o desenvolvimento... Eu quero chegar na bateria de carro em 15 anos aqui.
Não existe Estados Unidos poderoso sem a terra rara que tem no Brasil... Eu não vou fazer igual os demais estão: "dá tudo lá pro americano". Vamos produzir a turbina do avião deles aqui.
Renan Santos explica
Por que funciona
O Brasil tem a segunda maior reserva mundial de terras raras, mas não controla o processamento — monopólio da China. As potências ocidentais, especialmente os EUA, têm dependência crítica desses minerais para a indústria de defesa: o caça F-35 consome meia tonelada de terras raras por unidade, o que coloca o Brasil em posição de barganha geopolítica para exigir transferência de tecnologia de parceiros como EUA, União Europeia e Japão. O modelo inspira-se na estratégia da China, que verticalizou sua cadeia de minerais críticos em cerca de 30 anos, e na política soberanista de Getúlio Vargas, que usou o peso estratégico do Brasil para fundar a Companhia Siderúrgica Nacional. Grupos de pesquisa nacionais já processam minerais como disprósio e neodímio em escala laboratorial, demonstrando viabilidade técnica.
O resultado
O cidadão brasileiro veria a criação de empregos de alta complexidade e melhores salários, impulsionando o surgimento de uma nova classe média tecnológica — do centro-sul, onde estão minas como a de disprósio em Goiás, ao Ceará, que também tem reservas a explorar. A implementação da cadeia deve gerar aumento significativo na arrecadação tributária e no PIB, abrindo espaço para investimentos em infraestrutura e redução gradual de impostos sobre o trabalho. O país deixaria de ser espectador para se tornar um player soberano na indústria bélica e de semicondutores, garantindo autonomia tecnológica em um cenário global de disputa por recursos estratégicos.
Outras propostas
- O Nordeste que produz, não que depende Transformar o Nordeste em polo industrial, energético e tecnológico por meio de Zonas Econômicas Especiais, energia renovável e atração de data centers e indústrias de alta tecnologia.
- Desenvolvimento sem tutela estrangeira Expulsar ONGs internacionais que atuem contra o desenvolvimento nacional e defender a exploração soberana do petróleo da margem equatorial.