O Nordeste que produz, não que depende
Transformar o Nordeste em polo industrial, energético e tecnológico por meio de Zonas Econômicas Especiais, energia renovável e atração de data centers e indústrias de alta tecnologia.
Leitura: 3 min
O problema
O Nordeste brasileiro concentra uma das maiores populações do país e vastos recursos naturais — sol, vento, minerais estratégicos e posição geográfica privilegiada — mas permanece dependente de transferências federais e do assistencialismo. A ausência de uma base industrial e a baixa complexidade econômica mantêm a região em ciclo de pobreza e dependência política, impedindo a formação de uma classe média autossustentável.
A proposta
A proposta cria Zonas Econômicas Especiais (ZEEs) com regimes tributários e trabalhistas diferenciados, inspiradas no modelo chinês voltado para exportação, com licenças aprovadas em até 15 dias por agências one-stop shop. O Livro Amarelo define três polos iniciais: Suape (PE), focado em hidrogênio verde; Pecém (CE)–Araripe (PE), especializado em aço de baixo carbono e fertilizantes; e Aratu-Camaçari (BA), voltado a baterias, mobilidade elétrica e semicondutores. Paralelamente, o plano aproveita a abundância de sol e vento para tornar o Nordeste um polo mundial de energia renovável — com uma Angra 4 na região, viabilizada pelo urânio de Santa Quitéria (CE), para energia nuclear de base. A proximidade dos cabos de fibra ótica que conectam o Brasil aos EUA e à Europa seria usada para atrair grandes data centers, que consumiriam a energia limpa e barata produzida localmente. Na agroindústria, transformar as frutas de Petrolina (PE) em sucos, polpas e sorvetes para exportação e consolidar refinarias de etanol de milho no Matopiba. Para o interior, frentes de trabalho em recapeamento de estradas e cabeamento de fibra ótica substituiriam a dependência do Bolsa Família por renda do trabalho.
Nordeste é solução. Vou levar data center, vou fazer o Nordeste desenvolver, vou fazer os municípios faturarem com desenvolvimento econômico... Chega de imaginar que o Nordeste tem que ser um lugar só da Bolsa Família. Nordeste tem que ser rico, Nordeste tem que ser produtivo.
aquele papo que ficam vendendo, ah, o lugar do Nordeste é vagabundo? Papo furado. A galera quer ralar, a galera quer crescer. É que não dão meios pras pessoas fazerem isso.
Homens e mulheres solteiros abaixo dos 35 anos: essas pessoas, quando forem no CRAS retirar o seu cartão do Bolsa Família, será oferecido um formulário para elas participarem das frentes de trabalho que a gente vai organizar, que serão as frentes cidadãs.
O Nordeste tem muito sol e muito vento... a gente pode ter energia eólica, energia solar abundante... que tal uma Angra 4 para a região Nordeste, para terminar de fechar esse ciclo de energia abundante, barata, para trazermos data centers?
Renan Santos explica
Por que funciona
O modelo assistencialista atual, em que cerca de 40% dos domicílios nordestinos dependem do Bolsa Família, alimenta uma classe política que lucra com a manutenção da pobreza. Renan Santos cita o sucesso histórico da industrialização do interior do Ceará — em especial Sobral, a partir dos anos 1980 — impulsionada pela ação conjunta entre o Estado e a iniciativa privada sob liderança técnica. O projeto apoia-se no modelo meritocrático de gestão da China e do Japão, onde metas de desempenho forçam gestores a estimular a atividade econômica. Estudo publicado pela equipe de pesquisa da Revista Valete aponta correlação negativa entre IDH e voto em políticos tradicionais, sugerindo que a independência econômica gera uma cidadania mais consciente e reduz a influência de oligarquias regionais.
O resultado
O Nordeste deixará de ser visto como estoque eleitoral para se tornar mola propulsora da economia brasileira, gerando uma nova classe média regional em cidades que hoje são desertos de atividade econômica. O cidadão verá oferta de empregos de alta complexidade e melhores salários em setores de tecnologia e energia, reduzindo a necessidade de migração forçada para o Sul e o consequente processo de favelização nas metrópoles. Municípios que hoje funcionam como ficções jurídicas dependentes de repasses federais passarão a ter arrecadação própria e infraestrutura moderna de esgoto, internet e estradas, devolvendo dignidade ao morador e asfixiando o poder das oligarquias regionais.