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Renan Santos
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Saúde pública na era da inteligência artificial

Prontuário único nacional com inteligência artificial para prever doenças, fila do SUS ordenada por risco e telemedicina para acabar com o gargalo do acesso.

Leitura: 3 min

Sala de espera lotada de posto de saúde com fichas de papel empilhadas

O problema

O SUS enfrenta gargalos severos: filas para consultas e cirurgias organizadas por ordem de chegada — em que casos graves esperam atrás de casos leves —, quando não furadas por contato político; estoques de medicamentos mal dimensionados; e prontuários espalhados entre hospitais e clínicas, sem integração. A fragmentação das informações de saúde impede diagnósticos precoces e o planejamento eficiente de recursos públicos.

A proposta

O plano tem dois pilares nomeados no Livro Amarelo: o PRONTO (Prontuário Eletrônico Nacional Interoperável), que conecta atenção primária, especialistas, hospitais, laboratórios e farmácias em um histórico único acessível em qualquer ponto do país; e a ENER (Escala Nacional de Estratificação de Risco), que substitui a fila cronológica por uma fila viva com critérios objetivos nacionais — gravidade clínica, risco de progressão, impacto funcional, vulnerabilidade social e tempo de espera —, acabando com o fura-fila. Sobre o prontuário único, inteligência artificial e machine learning passam a prever a evolução de doenças crônicas como diabetes, câncer de mama e problemas cardíacos, acionando intervenções preventivas antes da crise. Na gestão, o modelo Hub and Spoke posiciona hospitais centrais e policlínicas por critérios técnicos e logísticos — e não pelo lobby político que hoje define onde se constrói hospital. Completam o plano o teleatendimento via aplicativo, em que médicos com agenda ociosa atendem regiões com filas extensas, e tótens com QR Code para retirada de medicamentos, na linha do sistema DoctorSV de El Salvador.

Com o uso intensivo de tecnologia machine learning com prontuário único você vai conseguir parametrizar os dados... a inteligência artificial vai poder falar: "Pô você de acordo com todo esse histórico... você vai desenvolver diabetes."

a primeira coisa a se fazer é acabar com o caos do acesso. E que que é o caos? Você não tem um prontuário único. Como você não tem um prontuário único, você não consegue medir o que aquela pessoa precisa.

O horário dele que pertence ao SUS vai ficar permanentemente disponível pro SUS... vai ter um médico eventualmente em Caxias do Sul ou em Cuiabá apto a te atender, ele tem que te atender por teleatendimento na hora.

O prontuário único... tenha todas as suas passagens todas as suas ocorrências hospitalares exames... porque com base nisso você vai conseguir aplicar finalmente o uso da inteligência artificial machine learning.

Renan Santos explica

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Por que funciona

Sistemas de saúde centralizados como o SUS levam vantagem na era da tecnologia por possuírem bases de dados massivas que permitem o treinamento eficaz de algoritmos de aprendizado de máquina. A medicina preventiva impulsionada por dados é drasticamente mais barata e eficiente do que o tratamento de doenças em estágio avançado. Como evidência, Renan Santos cita El Salvador, que sob Bukele desenvolveu junto com o Google um aplicativo integrado para gerir consultas e medicamentos pelo celular — e aponta que Inglaterra e China caminham na mesma direção, sinal de que a centralização inteligente de dados é o caminho para nações com grande população. Um plano federal de investimento de 15 anos definiria a localização de hospitais, os concursos e as carreiras médicas de longo prazo.

O resultado

O cidadão terá seu histórico médico acessível em qualquer unidade de saúde do território nacional, eliminando a perda de exames e a repetição desnecessária de procedimentos. A saúde deixará de ser reativa para ser proativa: o sistema detectará riscos precoces e acionará agentes de saúde para intervenções domiciliares antes que uma crise ocorra. As filas para especialistas e cirurgias tenderão a diminuir pela triagem digital objetiva e pelo uso da telemedicina. Planos de carreira estruturados para médicos em polos regionais visam reduzir a falta de profissionais nos municípios mais distantes.

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