Renan Santos
  • Economia

A dívida que engessa o Brasil

Proposta de PEC para equilibrar as contas públicas e conter a trajetória insustentável da dívida, com economia projetada de R$ 3,3 trilhões em 10 anos.

Empresário e ambulante sobrecarregados de impostos enquanto obra pública segue parada

O problema

A dívida pública brasileira cresce em trajetória insustentável, pressionada por um orçamento engessado por gastos obrigatórios que deixam pouca margem para investimento. Aposentadorias, BPC e vinculações constitucionais de saúde e educação consomem parcela crescente da receita federal, reduzindo a capacidade do Estado de agir.

A proposta

A proposta central é um ajuste fiscal profundo focado na redução da despesa pública, por meio de uma PEC já protocolada pelo deputado Kim Kataguiri com meta de economizar R$ 3,3 trilhões em 10 anos. As ações concretas incluem a desindexação de aposentadorias e do BPC do salário mínimo, corrigindo-os apenas pela inflação, e a desvinculação dos gastos obrigatórios com saúde e educação para dar mais autonomia aos gestores. O plano prevê também o corte de privilégios do alto funcionalismo, uma nova reforma da previdência paramétrica incluindo militares, e a extinção de renúncias fiscais bilionárias para setores específicos, como a Zona Franca de Manaus.

A gente tem que começar com uma reforma fiscal na área da despesa... se a gente falar em 3.3 trilhões, a gente fala num controle nessa curva galopante da dívida que a gente tem.

O Brasil é o único país do mundo que corrige benefícios sociais e aposentadoria através do aumento do ganho real do salário mínimo... Você dá com uma mão e tira com a outra via inflação.

todo mundo sabe que o Brasil vai precisar fazer um ajuste fiscal esse ajuste fiscal vai mexer em fraude que tem no BPC por exemplo fraude BPC gente que pega laudo falso que é autista tem um monte tá uma farra que tá rolando isso eu vou cortar isso

Por que funciona

Ajustes fiscais realizados pelo lado da despesa são mais duradouros e eficazes para atrair investimentos do que aqueles baseados em aumento de impostos. Santos argumenta que a rigidez do orçamento brasileiro — onde quase tudo é gasto obrigatório — impede o planejamento estratégico e o investimento. Ele cita um especialista da Casa Branca, Sam Brillante, que classificou o modelo orçamentário brasileiro como o pior do mundo por não permitir que o presidente execute nada. A proposta apoia-se em projeções do CDP indicando que a responsabilidade fiscal permitiria baixar a taxa de juros real para cerca de 5%, e faz paralelo com a decisão de Javier Milei na Argentina de enfrentar o ajuste sem promessas falsas.

O resultado

O controle da dívida reduz a percepção de risco-país e força a queda da taxa Selic, facilitando o acesso ao crédito para cidadãos e empresas. Com juros menores, o capital deixa a renda fixa especulativa e migra para a produção, gerando empregos de qualidade. Para o cidadão comum, a estabilidade fiscal resulta em menor inflação e aumento do poder de compra. Além disso, a economia nos gastos obrigatórios abre espaço para investimentos diretos em infraestrutura, saneamento e desfavelização, além de permitir redução gradual da carga tributária sobre o consumo e o trabalho no longo prazo.

Renan Santos explica

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